Finanças Corporativas

Para onde vai o dinheiro da sua empresa?

23 jul 2020 • por Impulso Consultoria • 0 Comentários

As diferenças fundamentais entre gasto, investimento, custo e despesas

Quando as empresas precisam analisar os resultados de seus negócios, geralmente as atenções se voltam para o fluxo de caixa. E a principal razão para que isso aconteça é o fato de que a disponibilidade de dinheiro é, no final do dia, a única coisa que de fato interessa para qualquer empresa.

No entanto, mesmo considerando que a análise e gestão do fluxo de caixa sejam extremamente importantes para a saúde dos negócios, é inviável utilizá-lo como principal, ou mesmo única, fonte de informações para análise da performance empresarial. Isso porque o fluxo contempla as entradas e saídas de dinheiro, mas nem de longe explica a dinâmica dos negócios e o motivo pelos quais cada entrada e desembolso acontece daquela forma.

Se nos artigos anteriores falamos longamente sobre o processo de prospecção, que se realizado com qualidade e consistência tem grandes chances de se transformar em vendas e, portanto, em receitas e recebimentos, neste artigo vamos concentrar nossa atenção nos diferentes tipos de desembolsos realizados pelas empresas.

Quando se fala em desembolso, nos referimos à toda saída de dinheiro do caixa da empresa. Contudo, há diferentes tipos de desembolsos e é importante termos em mente que cada um deles tem um impacto diferente sobre os resultados dos negócios. Os conceitos que vamos explorar aqui são gastos, investimento, custos e despesas.

Vale comentar que, como a função deste artigo é explicar, exemplificar e simplificar os conceitos para melhorar a gestão das empresas, não nos apegaremos aos rigores da literatura. Sendo assim, recomendamos para quem quiser aprofundar-se no tema a leitura do livro “Contabilidade de Custos” do Professor Eliseu Martins1.

Quando uma empresa compra qualquer produto ou serviço ela realiza um gasto, e esse gasto pode se referir a um investimento, custo ou despesa.Este gasto não se torna um desembolso no exato momento em que ocorre, pois, o pagamento deste produto ou serviço pode acontecer em qualquer momento que não o da aquisição. Ou seja, pode ser pago antecipada ou futuramente.

Um gasto pode ser considerado investimento quando o produto ou serviço comprado passa a fazer parte do ativo permanente da empresa, devido ao fato de possuírem uma vida útil longa e/ou por gerarem benefícios em períodos futuros para as empresas. Por exemplo, pense em gastos com máquinas e mão-de-obra. As máquinas são bens que tem uma vida útil longa e que por longos períodos gerarão benefícios para a empresa. Sob essa lógica, os serviços de instalação destas máquinas também devem ser considerados investimentos, pois, são parte fundamental para que elas funcionem.

Já os custos, diferentemente dos investimentos, são gastos relativos a bens e serviços utilizados imediata e diretamente na produção de outros bens e serviços. Numa indústria de bolachas, por exemplo, a lista de custos é composta por itens como farinha, açúcares, aromatizantes, conservantes, energia elétrica e o salário dos operadores das máquinas, entre outras. Ou seja, itens utilizados no momento da produção e que são transformados em outros itens que serão vendidos pela empresa.

As despesas, por sua vez, são todos aqueles gastos realizados, direta ou indiretamente, para o funcionamento da empresa e obtenção de receitas. Ou seja, se referem a produtos e serviços não envolvidos diretamente no processo de fabricação ou prestação de serviços, mas que são realizados com o intuito de fazer a empresa funcionar. Gastos como materiais de escritório, produtos de limpeza e o cafezinho são exemplos clássicos de despesas: são importantes para a empresa funcionar, mas não geram benefícios futuros, como os investimentos, e nem são aplicados diretamente na produção do bens e serviços que serão vendidos.

Considerando as diferenças entre custo, despesa e investimento é possível refinar nossas análises sobre os resultados das empresas, em busca de otimização dos mesmos. Vamos a um exemplo simplificado: uma empresa verifica em seu fluxo de caixa que os desembolsos estão maiores que as entradas e decide que precisa cortar gastos. O ponto crucial passa a ser qual gasto cortar. Considerando o fato de que investimentos geram benefícios futuros, custos são aplicados diretamente no processo produtivo e despesas são gastos imediatos envolvidos no funcionamento da empresa, por onde você começaria os cortes? E no caso de uma empresa de alimentos que possui R$ 1.000,00 disponível e a área industrial solicita um equipamento novo, a área administrativa solicita a confecção de novos cartões de visitas e a área de pesquisa e desenvolvimento sugere a utilização de um ingrediente que deixará o produto mais saboroso. Para qual área você destinaria os tais R$ 1.000,00?

Para te ajudar a refinar a sua análise sobre alocação dos recursos da sua empresa, nos próximos artigos vamos explorar mais a fundo cada um dos tipos de gastos, para que você possa tomar decisões que sejam capazes de maximizar os resultados do seu negócio.

Martins, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2009.

*Este texto foi escrito pela equipe da Impulso Consult. Fique à vontade para compartilhá-lo, não se esquecendo de incluir os créditos ao autor.

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